quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Loucura

Minha única promessa para 2012 é que não vou me curar. Vou continuar louca, e como diria Os Mutantes “eu juro que é melhor não ser o normal”.
Pois é, eu tenho encontros diários com a felicidade, trabalho com o que gosto, tenho paz na minha casa,meus amigos são os melhores comparsas que alguém pode ter, minha família é o lugar onde me encontro, me apoio e me estranho também, e isso me faz refletir.
Claro que eu tenho metas, mas hoje elas se restringem a minha exclusiva felicidade.
Acho que nenhuma pessoa que passou mais de uma hora do meu lado me considera uma pessoa normal. Pudera, tudo que eu aprendi na vida é não ser normal.
Tenho trocentos defeitos, mas a loucura, dessa eu gosto. Ela justifica quando ponho em prática minhas vontades, quando me divirto fazendo os outros rirem, ou até mesmo quando quero testar a sinceridade com que as pessoas se mostram.
Afinal: nos primeiros 15 minutos são todos perfeitos, não é mesmo? 


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Num planeta estranho.

É, eu devo ser um ET, vivo num mundo em que as pessoas se preocupam mais com o que aparentam do que com aquilo que realmente são ou sentem.
Sou o oposto, que adianta aparentar uma coisa se eu sei que não sou ou não sinto aquilo? Como eles conseguem conviver com as próprias fraquezas e não se sentirem mal por isso?
O fato de alguém saber ou deixar de saber, de verdade, não muda o que sou.
Essa é só uma das esquisitices que põe em cheque minha terraquialidade.
Outra delas é: que diabos quererem interpretar tudo que se fala! Eu falo exatamente o que e quero dizer, no máximo eu não falo. Mas não digo  "A" querendo dizer "B". Afinal isso é uma democracia não é mesmo? Sou livre pra me expressar e dizem que não foi fácil conseguir isso. Por que na segunda década do século XXI eu me privaria do direito de falar aquilo que sinto vontade?
A terceira estranheza está no fato de achar muito chato essa superficialidade contemporânea. É tudo meia boca, você se relaciona superficialmente, você faz seu trabalho meia boca, suficiente pro dinheirinho no fim do mês. Você é amigo de um milhão mas se restringe ao "tudo bem?" "tudo!"com 99% das pessoas.
Porra! Se era pra ser meia boca pra que eu corri tanto na frente daqueles espermatozoides?
Eu vim pra cá VIVER! Vim pra dar o melhor de mim, em tudo, se é pra ser amigo eu quero ajudar sempre que possível, quero rir, quero chorar, quero participar. Se é pra trabalhar, eu vou fazer o meu melhor, eu vou tentar melhorar sempre e principalmente vou tentar cooperar com o trabalho do próximo. E se for pra viver um amor, eu, depois de analisar muito bem, quero me doar, ir por inteiro e receber também. Se fosse pra ter medo de tudo pra que eu vim pra cá? Do que vale acordar todo dia cedo, lutar, chorar, ficar doente, perder pessoas, sofrer...
Eu só quero felicidade se for intensa. Felicidade pra mim é igual gravidez, não tem meia felicidade. Felicidade é felicidade plena! Vida pra mim é plena, pra ser metade, morna, superficial, deus não teria me colocado aqui.
Disso eu tenho certeza.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O sabor da novidade.

"Tem que ter esse sabor da descoberta, tem que ter tesão, a palavra é essa!
A vontade, o desejo de fazer, de se entregar, se você começa a questionar tudo... não tem que ter apego demais ao que se faz, a ponto de descartar e construir de novo; até que num momento, isso represente uma beleza comum entre todos que estão envolvidos."
Lenine, em entrevista sobre o novo trabalho "Chão"

 O apego sempre me prendeu. O medo de perder aquilo, que já é meu, é um dos grandes fatores para que eu demore a tomar decisões e muitas vezes ter experiências que deem guinadas na minha vida.
Não se trata de medo do novo, é o apego ao velho, é esse o fato. Grande parte das minhas escolhas/ decisões  foram tomadas após muito tempo de análise e reflexão. Sei que foram bons momentos mas confesso que perco o limite entre o que já fez e o que ainda me faz bem.
 Por mais contraditório que isso pareça, não tenho apego material, meu apego está ligado às experiências que vivi, e principalmente às pessoas que estiveram comigo.
Sou movida à saudade, agrego pessoas em tempo integral, mas detesto quando as perco.
É como disse um texto anterior: "entrou na minha vida é favor não sair!" Porém aprender a ser só, tem me obrigado a entender que mudanças são necessárias, e as consequências não são trágicas, são partes de um processo.
Estou de cara com um novo desafio, frente a frente com mais uma situação que instiga, enche os olhos, volta a dar sabor a vida, isso com certeza incita à coragem de se desapegar daquilo que já não causa mais frisson, o gosto pela vida não pode ser insosso, aliás , ideal é quando ele está apimentado, no ponto de aguçar o paladar e despertar todos os demais sentidos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

"A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."



**Texto de Marina Colasanti.

sábado, 15 de outubro de 2011

"Yours are the sweetest eyes I've ever seen"

Minha avó tinha o costume de guardar as coisas realmente importantes. Ela escondia tão escondido que sempre se esquecia onde havia guardado. Só que sempre enfatizava: eu sei que está bem guardado! E isso só acontecia com as coisas realmente importantes.
Lembrei disso hoje, queria um maleiro feito aquele onde a vovó escondia suas preciosidades, nele eu guardaria alguns sentimentos, algumas pessoas, alguns cheiros, algumas lembranças, tão bem guardados a ponto de serem esquecidos.
Até acho que esse meu maleiro já existe e tem algumas coisas por lá, talvez pela importância dele, eu não me lembre em que lugar ele fica, nem como coloco estas novas peças no seu interior.
Não quero que deixem de ser importantes, mas preciso respeitar a realidade em que vivo. Lutar com o imutável é desgastante, dolorido e inútil.
Por isso, um lugarzinho especial em que essas lembranças ficassem ali, guardadas, sem ferir, sem sofrer, protegidas por uma redoma blindada; isso me ajudaria a viver o presente.
Meu corpo e minha mente precisam viver a mesma realidade.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ligação extra-umbilical

Acho que foi assim que ela abandonou as pipas e os peões.
Aos 15 anos, ela me encomendou para a cegonha. Com nome e tudo mais.
Seria uma menina e se chamaria Paula. Nunca perguntei o porquê especificamente ela pediu uma menina. Mas acredito que ter sido pelo fato de só ter irmãos homens. E de certa forma, até hoje, nossa relação muitas vezes parece de irmãs.
O tempo passou, ela casou-se, e dois anos depois, a encomenda chegara. E sem ultrassom ou qualquer tecnologia que previsse meu sexo, ela afirmava:" quem está na minha barriga é a Paula."
E como mãe não se engana ( e ai da cegonha enganar a sagitariana), depois de 10 horas de trabalho de parto e uma vitamina de abacate ( que por sinal é uma das poucas frutas que eu detesto); lá estava eu. Xerox autenticada com marca registrada no dedinho direito do pé, cabelo preto e olho escuro.
Como toda mãe de primeira viagem, ela conta que esterilizava tudo, nada passava sem uma dose de álcool antes de encostar no nenê que ela tanto pediu.
Minha mãe é emoção, o tempo todo, daquelas movidas pelo sentimento ao extremo. Por essas e outras o apego que eu aprendi a ter por ela e pelo meu pai, vem dela, com certeza. Imprimiu em mim muito da sua emoção além da necessidade de ter comigo aqueles que amo.
É a própria Maria do Bairro, sente tudo a flor da pele, quando ama, ama muito, quando sente raiva, esbraveja, qualquer um percebe o que ela sente.
A transparência e a sinceridade, com que sempre se mostrou, nunca fez com que eu criasse uma imagem idealizada daquela mulher. Os defeitos, as qualidades, as fraquezas: tudo, nunca foi segredo. Minha mãe sempre foi humana.
Se eu pudesse eleger sua maior qualidade seria o fato de não enganar a ninguém, e assumir, por mais dor que isso venha a causar, todos os seus atos.
Ela é intensa, mamãe vive como se o mundo fosse acabar amanhã, odeia amarras, vive por ela, desperta encantos, sente os maiores amores, e as piores dores. Por vezes é grossa, estúpida, mas nunca pediu a ninguém que esperasse doçura o tempo todo.
Sou uma mistura dos meus pais, tenho muito de mim, e só de mim. Mas reconheço reações e atitudes iguais as dela, por oras me orgulho, por outras me policio para não cometer os mesmos erros.
Ela é minha irmã mais velha, nunca senti medo, nem nunca tive distância dela, ela sabe de tudo que quer saber de mim. E ainda sim respeitamos os limites que a relação mãe-filha exige.
A Paulinha, que cismava em chamar sua mãe de Selma, mesmo quando ela insistia: "Mamãe" e eu retrucava "Mamãe Selma"; hoje cresceu, sonha e planeja seus próprios filhos, tem medos como os dela. Mas entende e agradece a Deus por ter lhe dado a mãe-irmã mais velha-Maria do Bairro- Selma Maria.
Parte do que sou, se moldou por ela. Muito mais que a pintinha no pé direito.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"Para alguns o amor é triste
para o outros o amor nem sequer existe
para outros, ainda, o dinheiro compra até amor verdadeiro.
Mas eu prefiro acreditar nas palavras que dizem
que mesmo quando não houver mais nada nem fé, nem esperança
o amor continuará resplandecendo no universo."

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

É, vai por aí!


  Olhar a estrada, é literalmente assistir a vida passar, é pensar que aconteça o que acontecer os dias vão escurecer e clarear novamente, nada vai parar... nunca. E por mais simples que isso pareça, nem sempre a nossa vida respeita essa ordem cronológica, eu queria ter uma tecla “pausar a vida”, pra poder refletir, digerir, mas o trator continua a passar. E um dia quem não vai estar aqui para admirar mais um dia raiando, serei eu. É tudo tão imediato, vivemos pra hoje, odiamos esperar, o seu prazo era ontem, você não fez isso? Deixou aquilo, ou aquele passar? Pois é passou... até que eu decidi que não vou mais pensar, deixa passar, se for importante, o tempo vai parar, como parou algumas vezes.
Deve ser por isso que eu sou uma pessoa tão ligada a saudade, saudade de tudo, amigos, tempos, sensações, cheiros, risadas, abraços, até daqueles tombos porque sempre tinha alguém especial pra me ajudar ( é eu não tenho motivo pra sentir raiva de Deus), minhas avós... mas sei que vivi cada um desses momentos ( e dessas pessoas) com uma intensidade única, e hoje meu horizonte é viver todos os novos momentos com a mesma intensidade.
Contar os degraus da escada desde pequena, pão com molho porque eu não gosto de salsicha, maquiagem pra cachorro, fazer fru-fru nas férias, bolinhos de chuva, chácara, brincar de filhotinhos, nadar, forrós, pipoca de saquinho, sorvete de potão na porta da escola, aulas inesquecíveis mesmo acordando as 5 da manhã, amor, ciúme, golinho, choro, carinho, sorrisos, saudade, tristeza, conversas intermináveis, ternura, respiração, tempo, maresias, amigas, festas, novos caminhos, novas metas,novas conquistas, vida adulta, antigos medos, velhas crenças mas novas visões... leveza.

É, vai por aí!

"...e os meus olhos ficam sorrindo..."


  Além de exemplificar, me traz um imenso prazer, sorrir não só com os dentes, mas usar o corpo e a alma, alegrar o espírito, me sentir leve. Estar entre os meus, encontrar pessoas de alma pura, sentir querer-bem, fazer o bem pra alguém que não esperava e receber o bem de alguém inesperado, sentir paz de espírito, poder ser eu mesma, sentir sintonia com o outro, ouvir palavras de carinho, abraços (...), sentir-se completa, entender o seu dia, aprender com ele, sentir saudade boa, olhar no olho e ver refletir felicidade, fechar os olhos e ver que só cabe dentro de você aquilo que te faz bem.

É isso que eu desejo a todos os meus, a todos os seus, e a todos que um dia fizeram meus olhinhos sorrirem!

domingo, 18 de setembro de 2011

Diz

Falta muito?
Onde ele está?
Se perdeu na estrada da minha vida?

Diz que serás bem vindo,
que aqui dentro, espero: vazia.
Diz que o quero
Que preciso, e prometo
Prometo tratá-lo docemente


Diz que a casa é grande
Que o espaço é dele
Que não há móveis velhos,
Que tudo ficará como ele gosta;
seja lá como for.

Diz que o aluguel é barato
e que eu não cobro
só retribuo.
Vai lá e diz.

Autobiografia

Eu prefiro acreditar nas pessoas a viver desconfiando de tudo e de todos.
Eu prefiro abraçar de peito aberto e abrir um sorriso a esconder o que eu sinto.
Eu prefiro viver cada dia de uma vez a esperar do futuro mais do que ele tem pra me oferecer.
Eu prefiro pessoas de alma leve e mente livre.
Eu prefiro explodir a guardar mágoas.
Eu prefiro correr atrás da felicidade a lamentar meu destino.
Eu choro sempre que sinto vontade.
Eu cultivo e semeio carinho, porque é essa a fórmula pra nunca ficar sem.
Eu me encanto por visões diferentes e me fascino quando as pessoas defendem os mais diversos pontos de vista.
Eu cuido do que eu gosto porque é como se cuidasse de um pedaço de mim.
Eu não nego ajuda a ninguém, e faço isso pela simples experiência da troca.
Eu guardo as melhores pessoas, os melhores momentos, aprendo com as piores dores e convivo com a saudade diariamente.
Eu me orgulho das minhas raízes e dos meus valores, mas não aceito nada como verdade absoluta, aprendi a rever meus conceitos sempre que necessário.
Eu sempre peso prós e contras, e isso acaba me rendendo dúvidas homéricas.
Eu não tenho uma boa relação com perdas, nem com perdões.
Mas não me limito a fechar meu coração, ele tem uma grande porta de entrada, e a saída é tão escondida que dificilmente alguém encontra essa portinha.

Tempo

“Feito um avarento ele contava os minutos, cada segundo que se esvai (...) enquanto ela esbanjava suas horas ao vento.”
A cama acordou maior que o de costume. Logo ela que sempre foi egoísta na hora de dormir, sentiu falta do corpo dele.
Naquela noite ela abriria mão da sua conhecida diagonal da cama. Não se tratava de um luxo, nem uma demonstração de amor próprio, era apenas uma triste declaração de solidão.
A noite foi um rito de despedida, ela expôs tudo que sentia e incomodava, ele, político como sempre, explicava que seus minutos eram cronometrados entre tudo que acreditava ser importante. Ela entendeu o recado, só pediu para que ele respeitasse a postura e o tempo dela. Foi a forma que ela escolheu para se preservar.
O dia amanheceu triste, não tinha como ser diferente, ela que sempre despertava sorrindo, não queria acordar.
Porém, ela sabe, é só mais um dia triste, como tantos já passaram, é só respeitar o tempo.