sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Relatos de uma noite furada



*Vale ressaltar que esse post não tem nenhum compromisso com a boa escrita. A linguagem é bem informal, para ser fiel ao acontecimento ;)

Ontem foi dia do Samba. Uma noite que prometia, certo? Para nós, apreciadores de um sambinha do bom. Há uma semana compramos o ingresso para um show do Diogo Nogueira (o muso) com Jorge Aragão e bateria da Mocidade. A noite prometia messssmo, certo?

Chegamos lá, todas trabalhadas no vestidinho e rasteirinha. Descobrimos um detalhe, o pico é da Transcontinental. Isso mesmo, aquela rádio um tanto popular. Mas nem foi preciso descobrir isso para notar os indícios. Estava vazio, e as poucas pessoas da fila... eram de chorar. Juro. Cheiro de neutrox no ar, blusinhas tomara que caia com sutiã de alcinha de silicone e sandálias com salto de cristal. Os homens?? Ah... era uma diversidade de impressionar: aba reta, brinco de “diamante”, moicano com gel, careca barrigudo e sério, a hora que entrou um tiozinho desdentado atrás de nós (sim, desdentado, só tinha os dois caninos, se aquilo era um canino) eu falei: CHEGA. Não to nessa vibe. Vamos vender os convites e ir pro Secreto (um dos poucos forrós decentes que restaram, que era ali perto).

Saímos da fila pra tentar achar um ser de coragem para entrar ali. Há... aí fomos supreendidas novamente. Caiu o maior pé d’água. Ficamos encolhidas no guarda-sol do moço da breja, enquanto o povo da fila se molhava todo - nem vale comentar a mistura de chuva, neutrox, monange... porque sim, a fila era descoberta e para completar, a disposição do alambrado não permitia que as pessoas conseguissem sair dali com facilidade. Tipo gado encurralado na fila do abate, sabe? Não tinha para onde correr. Enquanto isso, minha rasteirinha novinha encharcava toda... Urrrrr
Aí, apareceram 3 corajosas, no meio do temporal, para comprar convite. Vendi os nossos. Ah, uma de nós, como boa brasileira, não desistiu da ideia. Entrou no pico mesmo assim.

Ficamos lá por um tempo, ilhadas no guarda-sol, enquanto a enxurrada aumentava, arrastando sacos de lixo e tudo mais que tinha pela frente... quando estava quase alcançando meu pezinho, minha RASTEIRINHA NOVA, não agüentei. Saí correndo dali e me abriguei em frente a uma balada de sertanejo ou sei lá que porra que era (é, a região ali era..... demais!) .

A chuva passou rápido. Bora pro Secreto. Na frente, meia dúzia de freqüentadores assíduos, e nós.
Ficamos lá, cerveja, seleta, catuaba... nada animava.
A movimentação na frente estava zero. Ainda sim, outra boa brasileira insistiu para entrarmos. Pois bem, a contra gosto, o restante do bando aceitou. Como se fosse possível, lá dentro estava mais vazio que lá fora.
Pelo menos deu para dançar. A discotecagem estava ótima, só os forrós das antigas, que nos remetiam os áureos tempos da adolescência. Era o mínimo né? Ter pelo menos um bom momento em meio aquela noite fatídica.

Quando o show acabou, lá daquele pico da Transcontinental, a nossa amiga veio nos encontrar de táxi. O puto do taxista, quando chegou no Secreto disse que tinha um compromisso. Fez ela (foi mal, fê-la não combinaria mesmo com o teor deste texto) descer e ainda cobrou a corrida: 10,00 por um quarteirão. Dá para acreditar? Ah, e ainda ele foi super grosso com a gente.

Aí fomos pra casa em outro táxi. Com carinhas de troxa.

Fim.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010









"E aí, teve uma noite em que a Lua lá no Céu cedo se desenhou bem clara e redondinha. E o dia amanheceu, mas Vovó não apareceu para o café da manhã. Vovó não estava lá pra fazer a vitamina que dividia com Nina. O que houve Vovó? Meu Deus do Céu, o que houve? Estão batendo tão forte, estão chamando tão alto: “Vovó Vivi, abre a porta!” E a vovó não responde. Quando a porta do seu quarto foi aberta finalmente com força e ansiedade, lá dentro, Vovó dormia serena como viveu. Vovó dormia para sempre. Vovó, você nunca disse que queria ir embora assim, sem dizer adeus. Não era isso, vovó, que estava combinado. Vovó, e suas promessas? Vovó, e nossas viagens? Vovó Vivi, e as farras que a gente ia fazer? E a nossa parceria? Vovó, e os meus segredos? Pra onde você levou? E como é que eu vou crescer sem você me ver crescer? Como vou andar no mundo onde você não está? Vovó, eu não posso mais abraçar as suas pernas, não posso beijar seu rosto, não posso pegar sua mão... Vovó, que coisa difícil, Vovó Vivi, que aflição!”
                                                                    Trecho de A menina Nina do Ziraldo

Há quatro anos que minha avó Suzete resolveu conferir o endereço do cara que sempre a atendia lá no céu. Ela faz parte de um time de mães das quais eu me espelho; se fosse um time, ela seria a capitã. Minha avó era a criatura mais admirável que eu conheci, fazia todas as minhas vontades, como toda avó, estava sempre bem disposta. Nunca vi negar ajuda a ninguém, também não conheci quem não gostasse dela.
Minha avó me ensinou conceitos, valores, piadas, palavrões, jargões, me ensinou a fazer frufru, ponto cruz, tapioca, bolo de queijo só não ensinou a conviver com a ausência das pessoas que eu amo.
A citação do livro acima foi minha tia que me indicou, Ziraldo escreveu para explicar para sua neta a morte de sua avó. No livro ele conta pra Nina que sua avó virou uma estrela e que lá de cima ela acompanha a Nina onde ela estiver. É só literatura infantil, mas as vezes tentar entender as coisas como as crianças faz com que fique mais fácil entender assuntos como a morte.
Hoje faz quatro anos que aprendi a conversar com ela da mesma maneira que a Nina conversa com a Vovó Vivi.
Morte não é um assunto fácil, queria que minhas avós ficassem pra semente.
A melhor citação que eu ouvi sobre avós foi de um diálogo do José Midlin e de sua neta de 4 anos.

“- Vô, e o seu avô?
- Não o conheci, ele morreu quando eu era muito pequeno.
A menina pôs a mão na cintura e exclamou:
-Você não sabe o que está perdendo!”

Nenhuma palavra explica melhor o sentimento de ter avós.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Termo


Logo eu que nunca fui dada a sentimentos descabidos, sem propósitos, desses que aparecem do nada por pessoas que nem se quer fizeram por onde eles existirem.
Fato é que depois de meses, algo que eu não pensava antes resolveu povoar meus pensamentos no meio do dia, os mesmos gostos, o mesmo jeito de aproveitar a vida, valores, amigos e propósitos parecidos; vindos do desconhecido, do estranho como comumente nos chamamos por um ano.
Não sou moderna, essa história me ajudou a, definitivamente, decifrar essa característica da minha personalidade, nunca fui moderna e não vou conseguir ser moderna. Salvo uma única vez, talvez soubesse onde me metia e por isso não me atrevi a viver mais do que o presente.
Não foi o melhor homem do mundo, não foi a melhor noite da minha vida, nem passou perto, mas talvez tenha sido aquela que mais planejei e tudo saíra como o esperado. Tudo, até o desapego momentâneo, mas isso se transformou e agora estou eu aqui, como uma tola escrevendo um texto pra ninguém, expondo pra mim mesma o quanto sou fraca em pensar em alguém que simplesmente passou pela minha vida.
Pior é que fora isso não há nada a ser feito. É tão confuso que ainda não consegui definir dentro de mim se gostaria de revê-lo ou de nunca mais cruzar com esse sujeito.
Por que as pessoas não mostram a que vieram no momento em que chegam? Que graça tem se mostrar de uma forma diferente da verdadeira? Eu sempre me mostrei e agi com as pessoas da maneira que gostaria que elas agissem comigo, só que acho que essa tarefa não é tão fácil para grande parte dos seres ditos racionais. Tirando uma meia dúzia, só meu cachorro me trata como gosta de ser tratado.
E mais uma vez eu fiz isso; tratei como queria ser tratada, fui atenciosa, fui carinhosa, fui amiga. Não cobrei nada em troca, nem cobraria; como cobrar algo que não posso oferecer, não naquele momento. Mas não gosto de perder ninguém, cada um que entra na minha vida tem que saber que um dia vai fazer falta, eu não gosto de finalizar ciclos, nem de esquecer pessoas. E infelizmente sei que faz parte da vida. Mas ainda vou inventar um Termo para cada pessoa que entrar na minha vida: “Cuidado, se você entrar na vida dela está fadado a nunca mais sair, pode mudar de posição/cargo; mas sair, isso não será permitido.”
Aparentemente, apesar de confuso é isso, ele só passou, e não quis entender o significado de “transforme-se, mas não passe”. Pena que o valor que as pessoas adquirem na sua vida não tem muito a ver com o valor que elas objetivaram ter.