Afeto a gente precisa doar, não serve de nada se ele ficar guardado. Há 3 anos eu perdi um amigo. Suicídio.
Aquele tema que a gente prefere não falar, que não sabe o que dizer, que dá nó na cabeça e no coração. Eu terminei hoje de ver a série 13 reasons why, e coincidentemente fiz isso no dia que completam 3 anos da morte do meu amigo. Eu não sei se isso mudaria algo, eu realmente não sei, mas eu queria ter feito algo, por isso que eu sempre faço, não consigo entender o porquê não ajudar se eu tenho a oportunidade. E isso é ainda mais significativo numa sexta-feira da Paixão, quando se é cristã.
Eu escrevi a carta abaixo esse ano, estava sentindo falta de escrever, de alguma forma isso expulsa os meus fantasmas, é como se eu vomitasse algo que não devesse ficar dentro de mim, algo que é maior. Não tenho a menor identificação com o suicídio, eu tenho a vida, por mais difícil que seja, como uma dádiva. Eu gosto da luta diária, gosto da forma como desato os nós, gosto de saber que os dias difíceis, bem com os fáceis, tem apenas 24 horas e que tudo finda.
Dito isso, deixo a carta pro Rob, um amigo querido, que decidiu o dia que a vida findaria. Não te julgo, só queria que o mundo não perdesse o azul do seu olho e a forma sensível que você lia tudo isso aqui.
"Oi Rob,
Eu precisava escrever pra você antes de pegar no sono. Eu não poderia deixar passar mais uma vez que senti vontade de te dizer algo.
Bom, queria te contar como estão as coisas por aqui, eu ainda escrevo pouco perto do que você queria que eu escrevesse, mas continuo a mesma profissional sem medo de trabalho e que quebra a cabeça, mas aceita o desafio. Algumas metas foram batidas, mas há tantas outras a serem cumpridas.
Eu continuo não gostando de me arrumar pra ir trabalhar, esquece o tayer da executiva sênior que vc imaginava, eu acho que nasci pra ser do pensamento/execução/sapatilha mais do que da pose/scarpin/autoridade. Mas eu tenho evoluído.
Esses dias eu pensei em você, em como eu queria ter te dito o quanto você era querido, queria ter te acolhido, dito o quanto eu te admirava, queria ter te dito que devia ter te conhecido na Cásper pra ter mais tempo de dividir os dias e as ideias com você, de ter ido comer no refeitório do Einstein com você e ter vivido os 3 meses no HMO como vivemos.
Eu queria te dito que você é lindo, sempre soube que você sabia disso, mas queria agradecer por me olhar e dizer com os olhos que eu era linda, sem ser vulgar ou faltar com o respeito. Eu nunca acreditei, mas não posso negar que agradecia também.
Eu queria ter ouvido mais das tuas histórias, queria ter ido a sua vernissagem, eu queria ter aprendido mais sobre arte com você, queria ter brincado com a Anita, eu queria ter tido a oportunidade de trabalhar contigo de novo, queria ter a oportunidade de ter uma equipe tão legal como a nossa.
Eu sei que você escolheu o tempo que ficou aqui, mas eu queria poder te dizer tudo isso que escrevi nesse texto e que você não teve tempo de ler.
Que de alguma forma você tenha acesso a esse carinho, meu amigo.
Paulinha"
Triskles
sábado, 15 de abril de 2017
quinta-feira, 30 de junho de 2016
De sainha.
Quantas vezes você o mandou pro inferno?
Todas que eu tive vontade.
Quantas vezes ele riu disso?
Quase todas as vezes.
Quantas vezes você disse o sentia por ele?
Poucas, mas todas com sinceridade.
A gente sempre se divertiu juntos, a gente sempre foi amigo, ele tem bom gosto pra escolher amigos, ele ria e me fazia rir o tempo todo. Ele ia pra onde eu fosse, ele era melhor que todos os outros. Era melhor estar ao lado dele do que ao lado de qualquer um.
Um dia ele tentou me convencer que eu não precisava ter ciúme dele, porque eu sempre teria meu lugar cativo perto dele.
Mas o que ele dizia era da boca pra fora, na verdade ele nunca conseguiu lidar com o que eu senti por ele, eu o queria por perto, como quem quer alguém querido, não havia ( mais) dúvidas, mas ele não soube lidar com isso. Ter uma amiga mulher mexeu com ele, como se houvesse um limite.
E isso me fez mal, mais uma vez. Não queria mendigar o carinho de ninguém, queria a espontaneidade dele de volta. Queria a minha também.
Eu não queria, mas sinto sua falta.
Todas que eu tive vontade.
Quantas vezes ele riu disso?
Quase todas as vezes.
Quantas vezes você disse o sentia por ele?
Poucas, mas todas com sinceridade.
A gente sempre se divertiu juntos, a gente sempre foi amigo, ele tem bom gosto pra escolher amigos, ele ria e me fazia rir o tempo todo. Ele ia pra onde eu fosse, ele era melhor que todos os outros. Era melhor estar ao lado dele do que ao lado de qualquer um.
Um dia ele tentou me convencer que eu não precisava ter ciúme dele, porque eu sempre teria meu lugar cativo perto dele.
Mas o que ele dizia era da boca pra fora, na verdade ele nunca conseguiu lidar com o que eu senti por ele, eu o queria por perto, como quem quer alguém querido, não havia ( mais) dúvidas, mas ele não soube lidar com isso. Ter uma amiga mulher mexeu com ele, como se houvesse um limite.
E isso me fez mal, mais uma vez. Não queria mendigar o carinho de ninguém, queria a espontaneidade dele de volta. Queria a minha também.
Eu não queria, mas sinto sua falta.
quinta-feira, 19 de março de 2015
Rebento
"No presente do indicativo
Como as correntes de um cão furioso,
ou as mãos de um lavrador ativo
às vezes mesmo perigosamente
como acidente em forno radioativo
Às vezes, só porque fico nervosa, rebento
às vezes, somente porque estou viva!
Rebento, a reação imediata
a cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: Bata!
a cada bofetão do sofrimento"
domingo, 9 de março de 2014
Fake
Construa ideias, construa sonhos, construa oportunidades. Mas não construa falsas personalidades, elas são insustentáveis ao longo do tempo. Apresente-se como você realmente é, é mais simples e muito mais honesto. E é até mais fácil de sustentar com o passar do tempo.
quinta-feira, 6 de março de 2014
Palavra
Filha de mercúrio que sou, geminiana até a alma, sou assumidamente
amante da palavra. Tanto por isso me percebo auditiva e é o que ouço que me prende, não o que vejo.
Expressar por palavras aquilo que
observam, sentem ou devaneiam ainda é uma inebriante maneira de sedução. Mas
não digo isso de palavras vãs, expressas sem nenhuma veracidade. A palavra pra
mim só é válida quando ela expressa alguma verdade, nem que seja essa uma
verdade pra quem a declara, mas ela precisa ter verdade, ter sentimento, ter um
quê de sensibilidade.
Sou orgulhosa por ter nas veias esse
sangue brasileiro, cheio de misturas, desses que Darwin se orgulharia se visse.
Pra mim, a nossa diversidade e a nossa miscigenação são as mais belas
características dessa dita nação. E é da porção lusitana e latina que herdei
esse calor das veias, a sensação que a vida precisa de intensidade e de paixão
e que ainda sim, ela exige que ser falada, expressada, repassada, só assim se
perpetua e cumpre o seu papel.
A palavra é transformadora, assim
como dizia Camões a respeito do amor, a palavra também fere e não se sente
e arde sem se ver. Une impérios, faz com que nações se identifiquem por meio de
uma forma de comunicação semelhante. A palavra não respeita distâncias é
historicamente um meio de dominação.
Ela ainda me conforta sobre a
efemeridade da vida, ela documenta, transpassa gerações, registra seja por via
oral ou escrita costumes, histórias, estórias e sentimentos. Aquilo que a
genética imprime nos nossos gestos impensados a palavra explica e ajuda a
entender um pouco mais do que somos.
Meus maiores ídolos estão todos, de certa
forma, ligados à palavra, a ela também estão (e estarão) sempre ligados os meus
maiores aprendizados, os meus maiores amores e aquilo que de ontem até sempre
encherão meus olhos de água e brilho.
Palavra.
Palavra.
Fala.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Planos
“A
vida é cronicamente randômica até na hora em que chega a respeitável e temida
Velha da Foice.
Quem planeja o destino apedreja.”
Quem planeja o destino apedreja.”
Não planejo nada por
mais de 24 horas, tenho problemas em cumprir promessas, me condeno quando as
faço e não as cumpro. Por isso as evito.
Sofro com os finais, até a última gota, sou apegada. Não
gosto de mudanças, espero sempre o mesmo gosto bom que ficou na memória. Não vem, e não o condeno, condeno a mim.
Abstenho-me de todo discernimento, de inteligência racional ou emocional. Tento
me colocar como senhora da minha razão e sou sucumbida às minhas necessidades
afetivas. Sim, sou carente, e dos meus defeitos é o que eu mais combato.
As minhas loucuras, o meu destempero com a vida, a coragem
com que encaro o mundo. Esqueço tudo isso quando me refiro às minhas afetividades.
Não sou corajosa. Nem pra começar e tampouco para terminar histórias. Eu queria ser, mas não sou. E não vou me
enganar e dizer que agora serei. Frustrar também é das piores sensações que eu
já senti. Tento o conformismo, é meu carma, é meu destino, é meu jeito. Eu
tenho que aprender a ser só, como diria a musa-mor. Eu nasci só, morrerei assim
também. No ínterim aparecerão pessoas, mas todas passarão, e eu preciso
conviver com isso com mais naturalidade, talvez seja essa uma meta minha; não
pro ano, nem pro próximo ciclo, mas sem tempo definido.
As maiores mudanças na minha vida me pegaram na surpresa, eu
com medo, pra variar, mas os caminhos me guiando e eu mudando. Nadei contra
todas as correntes da minha vida. Não gostava de trocar de escola, não gostava
de trocar de corte de cabelo, não troco de esporte, os móveis da minha casa
estão sempre no mesmo lugar, minha rotatividade amorosa é tão ridícula quanto a qualidade dos meus romances.
No entanto eu sempre me doei. Até doer, mas doer muito, e ainda sim, depois
de alguns murros doidos em pontas de facas, eis que consigo tomar uma decisão.
Ainda sim não pára de doer. A não ser que a vida se encarregue de tomar as
rédeas e me auxilie nessa tomada de decisão.
Cá estou mais uma vez, tentando mudar a nau dessa história.
Tirando de foco aquilo que não controlo e voltando as minhas forças pro meu
terreno mais seguro. Atolar-me de trabalho, atolar-me no esporte, fazer com que
as 24 horas sejam completamente preenchidas por essas esferas e não reste tempo
pra chorar minha carência, minha falta de amor.
Aguardarei a vida obrigar-me a mudanças, e me adaptarei ao
irremediável.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
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