Filha de mercúrio que sou, geminiana até a alma, sou assumidamente
amante da palavra. Tanto por isso me percebo auditiva e é o que ouço que me prende, não o que vejo.
Expressar por palavras aquilo que
observam, sentem ou devaneiam ainda é uma inebriante maneira de sedução. Mas
não digo isso de palavras vãs, expressas sem nenhuma veracidade. A palavra pra
mim só é válida quando ela expressa alguma verdade, nem que seja essa uma
verdade pra quem a declara, mas ela precisa ter verdade, ter sentimento, ter um
quê de sensibilidade.
Sou orgulhosa por ter nas veias esse
sangue brasileiro, cheio de misturas, desses que Darwin se orgulharia se visse.
Pra mim, a nossa diversidade e a nossa miscigenação são as mais belas
características dessa dita nação. E é da porção lusitana e latina que herdei
esse calor das veias, a sensação que a vida precisa de intensidade e de paixão
e que ainda sim, ela exige que ser falada, expressada, repassada, só assim se
perpetua e cumpre o seu papel.
A palavra é transformadora, assim
como dizia Camões a respeito do amor, a palavra também fere e não se sente
e arde sem se ver. Une impérios, faz com que nações se identifiquem por meio de
uma forma de comunicação semelhante. A palavra não respeita distâncias é
historicamente um meio de dominação.
Ela ainda me conforta sobre a
efemeridade da vida, ela documenta, transpassa gerações, registra seja por via
oral ou escrita costumes, histórias, estórias e sentimentos. Aquilo que a
genética imprime nos nossos gestos impensados a palavra explica e ajuda a
entender um pouco mais do que somos.
Meus maiores ídolos estão todos, de certa
forma, ligados à palavra, a ela também estão (e estarão) sempre ligados os meus
maiores aprendizados, os meus maiores amores e aquilo que de ontem até sempre
encherão meus olhos de água e brilho.
Palavra.
Palavra.
Fala.
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