domingo, 9 de março de 2014

Fake

Construa ideias, construa sonhos, construa oportunidades.  Mas não construa falsas personalidades, elas são insustentáveis ao longo do tempo. Apresente-se como você realmente é, é mais simples e muito mais honesto. E é até mais fácil de sustentar com o passar do tempo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Palavra

Filha de mercúrio que sou, geminiana até a alma, sou assumidamente amante da palavra. Tanto por isso me percebo auditiva e é o que ouço que me prende, não o que vejo.

Expressar por palavras aquilo que observam, sentem ou devaneiam ainda é uma inebriante maneira de sedução. Mas não digo isso de palavras vãs, expressas sem nenhuma veracidade. A palavra pra mim só é válida quando ela expressa alguma verdade, nem que seja essa uma verdade pra quem a declara, mas ela precisa ter verdade, ter sentimento, ter um quê de sensibilidade.

Sou orgulhosa por ter nas veias esse sangue brasileiro, cheio de misturas, desses que Darwin se orgulharia se visse. Pra mim, a nossa diversidade e a nossa miscigenação são as mais belas características dessa dita nação. E é da porção lusitana e latina que herdei esse calor das veias, a sensação que a vida precisa de intensidade e de paixão e que ainda sim, ela exige que ser falada, expressada, repassada, só assim se perpetua e cumpre o seu papel.

 A palavra é transformadora, assim como dizia Camões a respeito do amor, a palavra também fere e não se sente e arde sem se ver. Une impérios, faz com que nações se identifiquem por meio de uma forma de comunicação semelhante. A palavra não respeita distâncias é historicamente um meio de dominação.

Ela ainda me conforta sobre a efemeridade da vida, ela documenta, transpassa gerações, registra seja por via oral ou escrita costumes, histórias, estórias e sentimentos. Aquilo que a genética imprime nos nossos gestos impensados a palavra explica e ajuda a entender um pouco mais do que somos.

Meus maiores ídolos estão todos, de certa forma, ligados à palavra, a ela também estão (e estarão) sempre ligados os meus maiores aprendizados, os meus maiores amores e aquilo que de ontem até sempre encherão meus olhos de água e brilho.

Palavra.

Fala.





sábado, 4 de janeiro de 2014

Planos

“A vida é cronicamente randômica até na hora em que chega a respeitável e temida Velha da Foice.
Quem planeja o destino apedreja.”
 Não planejo nada por mais de 24 horas, tenho problemas em cumprir promessas, me condeno quando as faço e não as cumpro. Por isso as evito.
Sofro com os finais, até a última gota, sou apegada. Não gosto de mudanças, espero sempre o mesmo gosto bom que ficou na memória.  Não vem, e não o condeno, condeno a mim. Abstenho-me de todo discernimento, de inteligência racional ou emocional. Tento me colocar como senhora da minha razão e sou sucumbida às minhas necessidades afetivas. Sim, sou carente, e dos meus defeitos é o que eu mais combato.
As minhas loucuras, o meu destempero com a vida, a coragem com que encaro o mundo. Esqueço tudo isso quando me refiro às minhas afetividades. Não sou corajosa. Nem pra começar e tampouco para terminar histórias.  Eu queria ser, mas não sou. E não vou me enganar e dizer que agora serei. Frustrar também é das piores sensações que eu já senti. Tento o conformismo, é meu carma, é meu destino, é meu jeito. Eu tenho que aprender a ser só, como diria a musa-mor. Eu nasci só, morrerei assim também. No ínterim aparecerão pessoas, mas todas passarão, e eu preciso conviver com isso com mais naturalidade, talvez seja essa uma meta minha; não pro ano, nem pro próximo ciclo, mas sem tempo definido.
As maiores mudanças na minha vida me pegaram na surpresa, eu com medo, pra variar, mas os caminhos me guiando e eu mudando. Nadei contra todas as correntes da minha vida. Não gostava de trocar de escola, não gostava de trocar de corte de cabelo, não troco de esporte, os móveis da minha casa estão sempre no mesmo lugar, minha rotatividade amorosa é tão ridícula quanto a qualidade dos meus romances.
No entanto eu sempre me doei.  Até doer, mas doer muito, e ainda sim, depois de alguns murros doidos em pontas de facas, eis que consigo tomar uma decisão. Ainda sim não pára de doer. A não ser que a vida se encarregue de tomar as rédeas e me auxilie nessa tomada de decisão.
Cá estou mais uma vez, tentando mudar a nau dessa história. Tirando de foco aquilo que não controlo e voltando as minhas forças pro meu terreno mais seguro. Atolar-me de trabalho, atolar-me no esporte, fazer com que as 24 horas sejam completamente preenchidas por essas esferas e não reste tempo pra chorar minha carência, minha falta de amor.

Aguardarei a vida obrigar-me a mudanças, e me adaptarei ao irremediável.