"E aí, teve uma noite em que a Lua lá no Céu cedo se desenhou bem clara e redondinha. E o dia amanheceu, mas Vovó não apareceu para o café da manhã. Vovó não estava lá pra fazer a vitamina que dividia com Nina. O que houve Vovó? Meu Deus do Céu, o que houve? Estão batendo tão forte, estão chamando tão alto: “Vovó Vivi, abre a porta!” E a vovó não responde. Quando a porta do seu quarto foi aberta finalmente com força e ansiedade, lá dentro, Vovó dormia serena como viveu. Vovó dormia para sempre. Vovó, você nunca disse que queria ir embora assim, sem dizer adeus. Não era isso, vovó, que estava combinado. Vovó, e suas promessas? Vovó, e nossas viagens? Vovó Vivi, e as farras que a gente ia fazer? E a nossa parceria? Vovó, e os meus segredos? Pra onde você levou? E como é que eu vou crescer sem você me ver crescer? Como vou andar no mundo onde você não está? Vovó, eu não posso mais abraçar as suas pernas, não posso beijar seu rosto, não posso pegar sua mão... Vovó, que coisa difícil, Vovó Vivi, que aflição!”
Trecho de A menina Nina do Ziraldo
Há quatro anos que minha avó Suzete resolveu conferir o endereço do cara que sempre a atendia lá no céu. Ela faz parte de um time de mães das quais eu me espelho; se fosse um time, ela seria a capitã. Minha avó era a criatura mais admirável que eu conheci, fazia todas as minhas vontades, como toda avó, estava sempre bem disposta. Nunca vi negar ajuda a ninguém, também não conheci quem não gostasse dela.
Minha avó me ensinou conceitos, valores, piadas, palavrões, jargões, me ensinou a fazer frufru, ponto cruz, tapioca, bolo de queijo só não ensinou a conviver com a ausência das pessoas que eu amo.
A citação do livro acima foi minha tia que me indicou, Ziraldo escreveu para explicar para sua neta a morte de sua avó. No livro ele conta pra Nina que sua avó virou uma estrela e que lá de cima ela acompanha a Nina onde ela estiver. É só literatura infantil, mas as vezes tentar entender as coisas como as crianças faz com que fique mais fácil entender assuntos como a morte.
Hoje faz quatro anos que aprendi a conversar com ela da mesma maneira que a Nina conversa com a Vovó Vivi.
Morte não é um assunto fácil, queria que minhas avós ficassem pra semente.
A melhor citação que eu ouvi sobre avós foi de um diálogo do José Midlin e de sua neta de 4 anos.
“- Vô, e o seu avô?
- Não o conheci, ele morreu quando eu era muito pequeno.
A menina pôs a mão na cintura e exclamou:
-Você não sabe o que está perdendo!”
Nenhuma palavra explica melhor o sentimento de ter avós.

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