“Feito um avarento ele contava os minutos, cada segundo que se esvai (...) enquanto ela esbanjava suas horas ao vento.”
A cama acordou maior que o de costume. Logo ela que sempre foi egoísta na hora de dormir, sentiu falta do corpo dele.
Naquela noite ela abriria mão da sua conhecida diagonal da cama. Não se tratava de um luxo, nem uma demonstração de amor próprio, era apenas uma triste declaração de solidão.
A noite foi um rito de despedida, ela expôs tudo que sentia e incomodava, ele, político como sempre, explicava que seus minutos eram cronometrados entre tudo que acreditava ser importante. Ela entendeu o recado, só pediu para que ele respeitasse a postura e o tempo dela. Foi a forma que ela escolheu para se preservar.
O dia amanheceu triste, não tinha como ser diferente, ela que sempre despertava sorrindo, não queria acordar.
Porém, ela sabe, é só mais um dia triste, como tantos já passaram, é só respeitar o tempo.
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