sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O cerne da Babilônia.

É um ser com vida própria. Se São Paulo é a locomotiva do Brasil, o centro é o motor, com direito a barulho de britadeira até altas horas da noite em ano de eleição.
Nunca fui muito fã do centro, me cansava aquele monte de coisa acontecendo simultaneamente, já não sou muito boa com detalhes, o centro sempre me deixava confusa, não conseguia prestar atenção em nada. Depois de dois anos como habitue do local refiz minha visão. Só quem mora no centro consegue entender as 10 mil faces que ele tem. O centro ferve o dia todo e ainda sim é palco da vida rotineira dos seus moradores.
 Você conhece o tio da banca de jornal, o moço da padaria, a tia mal humorada do mercadinho, o homem que trabalha na loja de cd e sempre chega antes do chefe como em qualquer vila da periferia da cidade.
A diferença clássica está nas pessoas que aqui vivem, é a Babilônia! Se um gringo cair no mercado do lado de casa, só identifica que está no Brasil por conta dos preços em reais, mas se olhar pro lado vai ficar em dúvida; tem de tudo: nigeriano, angolano, boliviano, chileno, coreano, chinês. Eu acho o máximo, e condeno qualquer preconceito contra qualquer um que seja, admiro a coragem, a grande maioria vem pra cá para trabalhar pesado e propor uma vida melhor a suas famílias. Exatamente como fizeram meus avós quando aqui chegaram.
 É muito peito pra mudar com mala e cuia  pra um lugar estranho, de cultura e língua diferentes, sem amigos, sem suporte e com o único intuito de tentar uma vida mais digna.
 Eu estou falando de gente que foge da fome, e fome, amigo, nivela qualquer ser humano. É instinto, é o que move o homem desde sempre.
 A questão da violência no centro, eu confesso que não vejo muita diferença em relação a violência dos bairros, o que chama minha atenção é a sujeira e o convívio diário com a miséria e a droga. Sei que o assunto está em alta e que não posso deixar de falar da minha sensação não de medo, mas de tristeza e impotência.
 Definitivamente há muito o que se fazer e não temos a menor estrutura para lidar com esse problema. Em um mês de ação contra o crack não vi um agente de saúde, só vi tratarem doentes como bandidos. Nego acha que tem o rei na barriga quando só carrega uma farda e um 38 na cintura.
Assistir a tudo isso faz parte da nossa rotina, o centro é um ser com vida própria exatamente por isso, nem tudo são flores, não estou na NY sul-americana, aqui acontece de tudo que existe no nosso país, só que concentrado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário